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Encurralado em Síria e Iraque, Estado Islâmico se volta contra cristãos no Egito

10 de abr de 2017

Mulheres choram as vítimas do atentado deste domingo contra uma igreja copta em Alexandria, Egito. - AFP
Cada vez mais encurralados na Síria e no Iraque, os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) intensificaram sua ação e violência contra igrejas cristãs coptas no Egito, segundo analistas.
A facção egípcia do EI, que reivindicou no domingo os ataques contra duas igrejas no norte do Egito, em Alexandria e em Tanta, era, até então, muito ativa no norte do Sinai, onde matou centenas de policiais e soldados.
Mesmo com alguns atentados de peso cometidos nesta região fronteiriça entre Israel e a Faixa de Gaza, o grupo jamais conseguiu se apoderar de alguma cidade. Ao contrário do que fez no Iraque e na Síria, onde autoproclamou um “califado” em 2014.
Apesar de a organização já ter atacado os coptas no passado, sua campanha contra a minoria cristã começou a ganhar intensidade em dezembro, com um atentado suicida em uma igreja no Cairo que deixou 29 mortos.
– Mudança de tática –
Qual seria a razão? “O EI está pressionado no Iraque e na Síria, por isso realiza ataques espetaculares em outras partes: é uma tentativa de retomar o controle de sua imagem, reforçar o moral das tropas e conseguir novos recrutas”, analisa Jantzen Garnett, especialista do Navanti Group Analytics.
No Iraque e na Síria, os extremistas acumulam derrotas. Estão prestes a perder Mossul, a segunda cidade do Iraque.
Já no no Egito, em janeiro e fevereiro sete coptas foram abatidos no norte do Sinai, o que levou dezenas de famílias cristãs a fugir da zona.
“Os ataques por motivos religiosos mostram que o EI continua na fase ‘de expansão’, apesar dos reveses no campo de batalhas, e incentivam que é ideologicamente próximo deles a apoiar o grupo”, confirma Zack Gold, do Rafik Hariri Center for the Middle East.
Em um vídeo de propaganda difundido em fevereiro, o grupo prometia aumentar los ataques contra os cristãos do Egito, a quem chama de “politeístas”.
“Desde o atentado de dezembro, o EI e seus seguidores da internet introduziram ao extremistas egípcios os conceitos sectários mais radicais”, explica Mojtar Awada, pesquisador do programa sobre extremismo da Universidade George Washington, nos Estados Unidos.
Reivindicando os atentados de Tanta e Alexandria, que deixaram 44 mortos, o EI afirmou que esses ataques contra os “cruzados” foram realizados pelos dois homens-bomba egípcios.
– ‘Presença crescente’ –
São os atentados mais sangrentos cometidos os últimos anos contra os coptas, que representam 10% dos 92 milhões de egípcios.
Contudo, esta comunidade é atacada há vários anos. Em janeiro de 2011, um atentado suicida na saída de uma igreja de Alexandria deixou mais de 20 mortos.
E, depois da queda do presidente islamita Mohamed Mursi por parte do exército em 2013, a minoria foi alvo de vários ataques por ter apoiado a rebelião militar.
Para os analistas, os atentados de dezembro e agora de abril sugerem uma presença crescente das células extremistas fora do Sinai.
“Nos últimos anos, o grupo Estado Islâmico enfrentou inúmeras dificuldades e sofreu inúmeros fracassos para implantar-se na parte continental do Egito. Estes atentados contra igrejas mostram que têm uma presença crescente neste território”, afirma Garnett.
Depois do atentado de dezembro, o presidente Abdel Fatah Al Sisi anunciou que prendeu vários extremistas, mas também admitiu que outros escaparam.
O grupo radical Ansar Beit Al Maqdess realizou inúmeros atentados contra a polícia fora do Sinai antes de jurar fidelidade ao EI em novembro de 2014.
Além disso, a nova facção do EI, que se chama “Província do Sinai”, realizou vários atentados no Cairo, sempre contra as forças de segurança.
A polícia, no entanto, anunciou o desmantelamento de várias células e, em novembro de 2015, anunciou a morte de um importante extremista, Ashraf Al Gharably.
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