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Fique Longe Dessa Cabana

2 de abr de 2017

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O livro A Cabana vendeu milh√Ķes de c√≥pias em todo o mundo e est√° para ser lan√ßado como um filme. Mas, enquanto o romance quebra os recordes de vendas, ele tamb√©m rompe a compreens√£o tradicional de Deus e da teologia crist√£. E √© a√≠ que est√° o trope√ßo. Ser√° que um trabalho de fic√ß√£o crist√£ precisa ser doutrinariamente correto?

Quem √© o autor? William P. Young [Paul], um homem que conhe√ßo h√° mais de uma d√©cada. Cerca de quatro anos atr√°s, Paul abra√ßou o “Universalismo Crist√£o” e vem defendendo essa vis√£o em v√°rias ocasi√Ķes. Embora freq√ľentemente rejeite o “universalismo geral”, a id√©ia de que muitos caminhos levam a Deus, ele tem afirmado sua esperan√ßa de que todos ser√£o reconciliados com Deus, seja deste lado da morte, ou ap√≥s a morte. O Universalismo Crist√£o (tamb√©m conhecido como a Reconcilia√ß√£o Universal) afirma que o amor √© o atributo supremo de Deus, que supera todos os outros. Seu amor vai al√©m da sepultura para salvar todos aqueles que recusaram a Cristo durante o tempo em que viveram. Conforme essa id√©ia, mesmo os anjos ca√≠dos, e o pr√≥prio Diabo, um dia se arrepender√£o, ser√£o libertos do inferno e entrar√£o no c√©u. N√£o pode ser deixado no universo nenhum ser a quem o amor de Deus n√£o venha a conquistar; da√≠ as palavras: reconcilia√ß√£o universal.
Será que um trabalho de ficção precisa ser doutrinariamente correto?

Muitos t√™m apontado erros teol√≥gicos que acharam no livro. Eles encontram falhas na vis√£o de Young sobre a revela√ß√£o e sobre a B√≠blia, sua apresenta√ß√£o de Deus, do Esp√≠rito Santo, da morte de Jesus e do significado da reconcilia√ß√£o, al√©m da subvers√£o de institui√ß√Ķes que Deus ordenou, tais como o governo e a igreja local. Mas a linha comum que amarra todos esses erros √© o Universalismo Crist√£o. Um estudo sobre a hist√≥ria da Reconcilia√ß√£o Universal, que remonta ao s√©culo III, mostra que todos esses desvios doutrin√°rios, inclusive a oposi√ß√£o √† igreja local, s√£o caracter√≠sticas do Universalismo. Nos tempos modernos, ele tem enfraquecido a f√© evang√©lica na Europa e na Am√©rica. Juntou-se ao Unitarianismo para formarem a Igreja Unitariana-Universalista.

Ao comparar os credos do Universalismo com uma leitura cuidadosa de A Cabana, descobre-se quão profundamente ele está entranhado nesse livro. Eis aqui algumas evidências resumidas:

1) O credo universalista de 1899 afirmava que “existe um Deus cuja natureza √© o amor”. Young diz que Deus “n√£o pode agir independentemente do amor” (p. 102),[1] e que Deus tem sempre o prop√≥sito de expressar Seu amor em tudo o que faz (p. 191).

2) N√£o existe puni√ß√£o eterna para o pecado. O credo de 1899 novamente afirma que Deus “finalmente restaurar√° toda a fam√≠lia humana √† santidade e √† alegria”. Semelhantemente, Young nega que “Papai” (nome dado pelo personagem a Deus, o Pai) “derrama ira e lan√ßa as pessoas” no inferno. Deus n√£o pune por causa do pecado; √© a alegria dEle “curar o pecado” (p. 120). Papai “redime” o julgamento final (p. 127). Deus n√£o “condenar√° a maioria a uma eternidade de tormento, distante de Sua presen√ßa e separada de Seu amor” (p. 162).

3) Há uma representação incompleta da enormidade do pecado e do mal. Satanás, como o grande enganador e instigador da tentação ao pecado, deixa de ser mencionado na discussão de Young sobre a queda (pp. 134-37).

4) Existe uma subjuga√ß√£o da justi√ßa de Deus a seu amor – um princ√≠pio central ao Universalismo. O credo de 1878 afirma que o atributo da justi√ßa de Deus “nasce do amor e √© limitado pelo amor”. Young afirma que Deus escolheu “o caminho da cruz onde a miseric√≥rdia triunfa sobre a justi√ßa por causa do amor”, e que esta maneira √© melhor do que se Deus tivesse que exercer justi√ßa (pp. 164-65).

5) Existe um erro grave na maneira como Young retrata a Trindade. Ele afirma que toda a Trindade encarnou como o Filho de Deus, e que a Trindade toda foi crucificada (p. 99). Ambos, Jesus e Papai (Deus) levam as marcas da crucifica√ß√£o em suas m√£os (contrariamente a Isa√≠as 53.4-10). O erro de Young leva ao modalismo, ou seja, que Deus √© √ļnico e √†s vezes assume as diferentes modalidades de Pai, Filho e Esp√≠rito Santo, uma heresia condenada pela igreja primitiva. Young tamb√©m faz de Deus uma deusa; al√©m disso, ele quebra o Segundo Mandamento ao dar a Deus, o Pai, a imagem de uma pessoa.

6) A reconciliação é efetiva para todos sem necessidade de exercerem a fé. Papai afirma que ele está reconciliado com o mundo todo, não apenas com aqueles que crêem (p. 192). Os credos do Universalismo, tanto o de 1878 quanto o de 1899, nunca mencionaram a fé.

7) N√£o existe um julgamento futuro. Deus nunca impor√° Sua vontade sobre as pessoas, mesmo em Sua capacidade de julgar, pois isso seria contr√°rio ao amor (p. 145). Deus se submete aos humanos e os humanos se submetem a Deus em um “c√≠rculo de relacionamentos”.

8) Todos s√£o igualmente filhos de Deus e igualmente amados por ele (pp. 155-56). Numa futura revolu√ß√£o de “amor e bondade”, todas as pessoas, por causa do amor, confessar√£o a Jesus como Senhor (p. 248).

9) A institui√ß√£o da Igreja √© rejeitada como sendo diab√≥lica. Jesus afirma que Ele “nunca criou e nunca criar√°” institui√ß√Ķes (p. 178). As igrejas evang√©licas s√£o um obst√°culo ao universalismo.

10) Finalmente, a B√≠blia n√£o √© levada em considera√ß√£o nesse romance. √Č um livro sobre culpa e n√£o sobre esperan√ßa, encorajamento e revela√ß√£o.

Logo no in√≠cio desta resenha, fiz uma pergunta: “Ser√° que um trabalho de fic√ß√£o precisa ser doutrinariamente correto?” Neste caso a resposta √© sim, pois Young √© deliberadamente teol√≥gico. A fic√ß√£o serve √† teologia, e n√£o vice-versa. Outra pergunta √©: “Os pontos positivos do romance n√£o superam os pontos negativos?” Novamente, se algu√©m usar a impureza doutrin√°ria para ensinar como ser restaurado a Deus, o resultado final √© que a pessoa n√£o √© restaurada da maneira b√≠blica ao Deus da B√≠blia. Finalmente, pode-se perguntar: “Esse livro n√£o poderia lan√ßar os fundamentos para a busca de um relacionamento crescente com Deus com base na B√≠blia?” Certamente, isso √© poss√≠vel. Mas, tendo em vista os erros, o potencial para o descaminho √© t√£o grande quanto o potencial para o crescimento. Young n√£o apresenta nenhuma orienta√ß√£o com rela√ß√£o ao crescimento espiritual. Ele n√£o leva em considera√ß√£o nem a B√≠blia, nem a igreja institucional com suas ordenan√ßas. Se algu√©m encontrar um relacionamento mais profundo com Deus que reflita a fidelidade b√≠blica, ser√° a despeito de A Cabana e n√£o por causa dela. (extra√≠do de uma resenha de James B. De Young, Western Theological Seminary - The Berean Call - http://www.chamada.com.br)
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