Papa recebe líderes muçulmanos para promoção do “islã moderado”

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Os encontros entre o papa Francisco e líderes de outras religiões parecem algo cada vez mais frequente. Ao longo dos seus quatro anos de Pontificado, essa aproximação é um dos principais pontos ressaltados pelo Papa em diversos de seus discursos.

Nesta quarta-feira (5) ele recebeu no Vaticano quatro imãs britânicos, informou o arcebispo de Westminster, cardeal Vincent Nichols. O encontro ocorre menos de um mês após o atentado terrorista na ponte de Westminster e contra o Parlamento britânico, que deixou quatro mortos e 50 feridos.

O cardeal Nichols afirmou que intermediou a visita dos imãs ingleses. “Levarei quatro líderes muçulmanos da Inglaterra para ver o papa Francisco e dizer a ele que os líderes religiosos querem e estão empenhados em construir uma relação”.

Ele minimizou o fato do terrorista da ponte de Westminster ter motivações religiosas.

“O autor era um homem nascido na Inglaterra, que cresceu na Inglaterra. Ele ficou, é verdade, um breve período na Arábia e tornou-se muçulmano. Mas, é preciso dizer que era um homem com uma ampla história de violência. Foi cinco ou seis vezes para a prisão e quem o conheceu fala de um homem muito irritado. Esse incidente deve ser visto e interpretado por sua realidade”.

Para ele, o diálogo inter-religioso precisa avançar como forma de combater-se o terrorismo. “Acredito que todas as pessoas que tem fé têm muito a oferecer. E desse ponto de vista é um dever para os líderes religiosos conversarem, encontrarem-se, explorar juntos soluções em comum para enfrentar essa questão de que a crença religiosa quer o extremismo e a violência”.

Por sua vez, o líder do Fórum Muçulmano Britânico, Muhammad Shahid Raza, asseverou que a mensagem de apoio do papa logo após o atentado em Londres “fortaleceu nossa posição, pois todos condenamos as atividades terroristas.”

Segundo o jornal Daily Mail, o encontro de Francisco com os imãs é parte de um processo de promoção do “Islã moderado” nas vésperas da visita papal ao Egito. O pontífice irá este mês à Universidade Al Azhar no Cairo, um dos principais centros teológicos do ramo sunita.

Em outras ocasiões, Francisco disse que cristãos e muçulmanos são irmãos e que deveriam “permanecer unidos para que acabe toda ação que, venha de onde vier, desfigura o rosto de Deus e, no fundo, tem como objetivo a defesa com veemência de interesses particulares em prejuízo do bem comum”.
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