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PCC firma parceria com grupo terrorista Hezbollah

A facção brasileira firmou uma parceria comercial com o grupo fundamentalista islâmico para elevar seu poder financeiro.

24 de jul de 2017

Membros do Hezbollah marchando durante procissão religiosa em Beirute, no Líbano. (Foto: Sharif Karim/Reuters)O PCC (Primeiro Comando da Capital) firmou uma parceria comercial com o grupo fundamentalista islâmico xiita Hezbollah, conforme informou o jornal Correio Braziliense neste domingo (23).

 Segundo um relatório apresentado pela Fundação de Defesa da Democracia (FDD), a facção brasileira se aliou ao Hezbollah para elevar seu poder financeiro. O PCC estaria comprando drogas em países como Paraguai e Colômbia, e repassando ao grupo no Líbano.

As drogas são adquiridas por um baixo preço nas nações que fazem fronteira com o Brasil e vendidas por valor mais elevado ao Hezbollah, segundo a FDD. Além disso, a atuação central do PCC seria no contrabando de cigarros.

O cientista político Guaracy Mingardi, que atuou na Secretaria Nacional de Segurança Pública e investiga o PCC há mais de 20 anos, explica que hoje a facção brasileira ganhou ramificações internacionais.

“O PCC já é um grupo criminoso internacional. Ele tem escritório no Paraguai para o transporte de drogas e armas, e na Bolívia, onde os entorpecentes são comprados. Tem algumas ligações no Peru, na Colômbia. Muitas vezes, eles podem fazer esse transporte de mercadoria para a Europa e para o Oriente Médio. Já sabemos que ocorre há algum tempo”, disse Mingardi.

O envio dos entorpecentes para o Oriente Médio rendem ao PCC um orçamento anual de R$ 20 milhões. O dinheiro financia a compra de armas e o recrutamento de criminosos que atuam dentro e fora das prisões para manter o poder paralelo da organização.

Relação antiga

A relação entre facções brasileiras e latino-americanas é antiga, segundo o general do Exército Theophilo Gaspar de Oliveira. “As facções ampliaram o poder para além das fronteiras”, disse ao Correio Braziliense o general, chefe do Comando Logístico do Exército.

No ano passado, a fabricante brasileira de armamento “Taurus” foi denunciada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul por exportar ilegalmente um lote com oito mil armas para o iemenita Fares Mohammed Mana’a, um dos maiores traficantes de armas do mundo.

As pistolas e revólveres comercializados sem autorização dos órgãos reguladores foram enviadas ao Iêmen para serem usadas na guerra civil. De acordo com o MP, a empresa estava preparada para enviar um segundo lote de 11 mil armas.

Para o general Theophilo, o Brasil deveria aplicar regras mais rígidas no controle do comércio dos artefatos. “Os países europeus estabelecem restrições quando uma arma deles é contrabandeada ou vendida. Por que não temos as mesmas regras para as nossas?”, questiona.

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