Connect with us

°C

Últimos Posts

Evangélicos protestam contra Alcorão: “Guia de estupros e assassinatos”

17 de ago de 2017

no Arpoador, grupo carrega cartazes contra o islamismo, no fim de semana: organizador de protesto já foi condenado por intolerância Foto: Reprodução

RIO - No último sábado, quando centenas de cariocas prestavam apoio ao refugiado sírio Mohamed Ali, que havia sido agredido e chamado de terrorista, dias antes, quando tentava vender esfirras em Copacabana, um outro grupo colocava em xeque a tolerância religiosa. No Arpoador, cerca de 20 integrantes da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, vestidos de preto, erguiam cartazes com ofensas aos muçulmanos, chamados de "assassinos, sequestradores e estupradores".

As cenas de preconceito podem acontecer novamente. Em sua página numa rede social, o pastor Tupirani da Hora Lores, organizador do ato do fim de semana, está convocando seus seguidores para um segundo protesto contra o islamismo, batizado de "Passeata II (Escola de Assassinos).

O pastor Tupirani já foi condenado pela Justiça do Rio em 2012 pelo crime de intolerância religiosa contra diversas orientações, inclusive pentecostais. Junto de um seguidor identificado como Afonso Henrique Alves Lobato, pregava, por meio de blogs, o fim da Igreja Assembleia de Deus.

Os dois disseminavam opiniões hostis contra judeus e classificavam outras religiões como "seguidoras do diabo" e "adoradoras do demônio". Além do preconceito de ordem religiosa, o pastor também propagava ideias homofóbicas, associando pais de santo a homossexuais.

Na época, durante um interrogatório, Tupirani não negou nenhuma das acusações. Classificou a homossexualidade como "possessão demoníaca" e confirmou que "discrimina todas as religiões". O pastor acabou condenado a prestar serviços à comunidade e a pagar dez salários mínimos a uma entidade beneficente.

O vereador Marcelo Arar (PTB), que entregou a Mohamed Ali uma moção de apoio da Câmara dos Vereadores no último dia 8, acredita que o ato de xenofobia praticado contra o islamismo no último sábado foi isolado, e não representa um crescimento da intolerância religiosa no Brasil. Ele destaca que a reação dos cariocas ao ataque sofrido pelo comerciante sírio indica que a intolerância é residual:

— O que existe no Brasil são focos isolados de preconceito, mas não acredito que movimentos do tipo ganharão força no país. Associar toda uma religião ao terrorismo é um ato de ignorância, mas os cariocas deram a prova de que atitudes com essas são sufocadas pelo nosso acolhimento e solidariedade. O Mohamed foi abraçado não apenas pela agressão que sofreu, mas pelos xingamentos que recebeu por ser muçulmano.

Em nota, a secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Bergher, afirma que vai encaminhar representação ao Ministério Público do Rio para que sejam apurados os últimos casos de intolerância religiosa na cidade. A secretária já esteve na polícia e vai exigir rigor nas investigações sobre a manifestação ocorrida no sábado.

"Não são fatos isolados e e precisam ser apurados com rigor. Não podemos assistir de braços cruzados à intolerância religiosa que vem ganhando força no nosso município. Estamos diante de um movimento que organizado por grupos extremistas que pregam o ódio contra minorias. Se não fizermos nada, estes movimentos podem se tornar incontroláveis, dando início a uma verdadeira 'guerra religiosa'. Aqui no Rio todas as religiões sempre conviveram pacificamente. Mas, de um tempo pra cá, atos de intolerância tem sido recorrente. Acionamos a polícia e vamos encaminhar representação ao Ministério Público, para que estes casos sejam apurados e a Justiça aplique todo o rigor da lei contra estes criminosos", afirmou Teresa Bergher em nota.

Publicidade
Publicidade

Add Comentário

© all rights reserved
Jesus Te Ama