Vereador propõe leitura bíblica antes das aulas em escolas de Boa Vista

Pastor Jorge (PSC) diz que bíblia sagrada é um conjunto de livros com conteúdo universal, científico, arqueológico e histórico. Presidente da Câmara pediu vistas do projeto: 'estado é laico', disse.
Projeto do vereador Pastor Jorge erquer leitura bíblica todos os dias (Foto: Luan Soares/Ascom/CMBV)
Projeto do vereador Pastor Jorge erquer leitura bíblica todos os dias (Foto: Luan Soares/Ascom/CMBV)
Um projeto de lei apresentado nesta quarta-feira (16) na Câmara de Boa Vista propõe a leitura da bíblia nas escolas públicas e privadas da capital antes do início das aulas.

Durante a apreciação da proposta na quarta, o presidente da Casa Legislativa, Mauricélio Fernandes (PMDB), pediu vistas da matéria alegando a laicidade do estado. Entretanto, nas discussões sobre o projeto, parte da bancada evangélica da Câmara apoiou a matéria.

O autor do projeto de lei, vereador Pastor Jorge (PSC), justifica a proposta narrando que a bíblia sagrada é um conjunto de livros importante para a formação das pessoas. "Para muitos um instrumento religioso.

O conteúdo é universal, científico, arqueológico, geográfico e histórico", diz na justificativa do projeto de lei. No entendimento do parlamentar, o projeto garante que a leitura seja facultativa e antes do começo das aulas. “O projeto proporcionará aos alunos conhecimento em todas essas áreas. A proposta é de cunho educacional.

Vamos enriquecer os estudantes com cultura. O conhecimento da bíblia já norteou atitudes humanas e serviu de consulta para cientistas". O vereador acrescenta não haver inconstitucionalidade na matéria, pois não há incentivo à religião.

“Sabemos que o estado é laico, mas proibir a leiura bíblica nas escolas é preconceituoso, intolerante”, acentua.

'Estado é laico', diz presidente da Casa 

Um dos motivos alegados por Mauricélio Fernandes para pedir vistas do projeto foi a alegação de que priorizar a leitura da bíblia de um segmento religioso pode afrontar a Constituição Brasileira, que garante que o Brasil é estado laico, e não pode apoiar e nem se opor a nenhuma religião.

 “Minha família sempre foi católica, pai e mãe, apesar de parte dela ser crente, testemunha de jeová. Acho que não tem de haver distinção. Pode-se falar de Deus na escola. Mas sem diferenças. Acredito ser um dever da família, dos pais.

 O nome é religião, independente de qual credo seja”, pontua Fernandes. Para o presidente, não deve haver apenas um tipo de segmento religioso na escola, embora sustente que é importante falar sobre Deus nas insituições de ensino.

“Vale, sim, falar dos princípios da bíblia, morais, sendo dever da família e do educador, que já faz isso. Pedi vista para entender melhor a situação [projeto], podendo contribuir de alguma forma com apoio da minha assessoria jurídica”, conclui, citando que tem o prazo de três dias para apresentar alguma alteração no texto da matéria.

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